21/03/2012
Talvez a maior capacidade da mídia seja criar modinhas, ilusões e miríades de falsidades. A própria imagem de Brasil que temos formada em nosso imaginário cotidiano é apenas mais uma dessas ilusões. Lula, Dilma e o paraíso dos investidores são apenas resultados de campanhas de marketing bem sucedido. É claro, reconheço que passamos nos últimos anos por grandes mudanças sociais e econômicas, todavia, como pensador (ainda que medíocre) e crítico (nisso sou ferrenho) sou obrigado a enxergar além daquilo que é noticiado e divulgado. Em suma, ainda há dois Brasis, o de poucos afortunados e o dos atendentes, caixas, operadores de produção e de toda sorte de pessoas que, assim como eu, recebem uma miséria de R$ 622,00 e pagam R$ 500,00 de aluguel num casebre, que, não raras vezes, foi comprado pelos afortunados com subsídio do governo.
Há inúmeros artigos, estudos e teses descrevendo e analisando o impacto das mídias sociais no mundo atual. De uma maneira geral, conclui-se enfaticamente o papel precursor, democrático e libertário desses meios de comunicação. Entretanto, gostaria de convidá-lo a pensar nos REAIS impactos, NAS ACOES EFETIVAS E CONCRETAS que Facebook, Orkut, Twitter, blogs e (...) tem realizado em nossos dias em nossa REALIDADE SOCIAL.
A imprensa destacou de modo efusivo a importância dessas mídias nos processos de transformação vividos por algumas nações árabes recentemente. Em linhas gerais, posso resumir minha ação a uma simples questão: qual o índice de acesso a internet nesses países? A resposta é muito básica: o índice é baixíssimo e pífio. Na Líbia, por exemplo, apenas 14% da população estão conectados.
O pensamento, tal qual todas as coisas nesse mundo acelerado, também parece ser modista. A meu ver, essa idéia de Facebook redentor, Twitter salvador e Orkut democrático é apenas uma moda do pensamento intelectual atual. Faça um estudo, aja como cientista: colete dados, veja a realidade da maneira mais realística possível. Fiz e refiz esse exercício. Minha conclusão é que não vi nada de sério nessas mídias sociais. Em geral, os blogs estão lotados de mentiras, teorias de conspiração e fotografias melosas. No Facebook, o conteúdo vária entre a intimidade superexposta e a vulgaridade de quadrinhos e tirinhas preconceituosas e de extremo mau gosto. No Twitter, a realidade é pervertida de tal forma que detalhes funestos como urinar e defecar são expostos em postagens de 1 linha (caguei!).
O Orkut, esvaziado, decadente e leviano, se mostra cada vez mais como o exemplo mais bem sucedido daquilo que uma mídia social é: um fenômeno passageiro, uma moda. Enfim, não nego a importância desses fenômenos midiáticos em nossa cultura. Os impactos nos modos de viver e, sobretudo, na construção da subjetividade dos indivíduos e em suas formas de interação social são inegáveis. Contudo, reitero que devemos reconhecer a mídia social como um fenômeno midiático, como produto de consumo, mutável e passageiro. Antes de endeusar ou colocar seus fundadores em um pedestal, lembremo-nos que o julgo do tempo é melhor juiz que nossa ciência e nossas concepções.
Como dizia o sábio Almir Sater: "(...) tempos tão globais, têm seus poréns, nada virtuais."